Gustav Burton treina perna única no leg press para frear sob forças G, fortalece pescoço e ombros para capacete de 5 kg, faz cardio em jejum e controla calorias para manter o peso exigido pelo regulamento do Porsche Supercup.
Segunda-feira, 5h da manhã. O alarme toca antes do sol nascer. Para a maioria, é hora de rolar na cama; para Gustav Burton, é o início de uma sessão de corrida em jejum que vai ditar se ele cabe no cockpit do Porsche 911 GT3 Cup no fim de semana. Com 1,93 m e a obrigação de não ultrapassar o peso total do carro — piloto incluso —, cada grama conta. O britânico de 24 anos não está apenas lutando contra o cronômetro em Monza; ele está lutando contra a balança, contra o calor de 60 °C dentro do habitáculo e contra a física brutal de forças G que exigem pernas de aço e um pescoço que aguenta 5 kg de capacete por 40 minutos seguidos.
Como o piloto quebrou o modelo tradicional de patrocínio
Antes de falar de treino, vale entender o cenário: Burton não tem contrato de fábrica. O caminho clássico — esperar uma montadora bancar tudo — deu lugar a uma estratégia de micro-patrocínios via redes sociais. Ele fragmentou a cota de patrocínio em pedaços de US$ 13,50, oferecendo acesso a conteúdo exclusivo, menções no podcast BackSeat Drivers e proximidade real com a jornada. Em dias, a comunidade cobriu o buraco orçamentário para Monza. O modelo mostra que, no esporte a motor moderno, a capacidade de gerar engajamento direto virou ativo tão valioso quanto o tempo de volta.
Treino específico para as demandas do Porsche Supercup
Força de perna para frear sob forças G
O pedal de freio de um carro de corrida não tem assistência hidráulica. Em curvas de alta, Burton aplica mais de 100 kg de força com a perna esquerda, repetidamente, enquanto o corpo sofre 3–4 G laterais. O exercício-base é o leg press unilateral, feito com cargas progressivas e tempo de tensão controlado. A unilateralidade corrige assimetrias — o lado esquerdo costuma ficar mais forte — e replica o padrão motor real: um pé no freio, o outro modulando o acelerador.
Pescoço e ombros para capacete de 5 kg
Um capacete homologado FIA 8860 pesa cerca de 1,5 kg; com dispositivo HANS e pintura, passa de 5 kg. Sob 4 G, a cabeça “pesa” 20 kg. Burton usa um bloco de três exercícios com halteres moderados (8–12 kg), focando em resistência isométrica e excêntrica:
- Reverse fly (voador inverso) — 3 séries de 15–20 repetições, ritmo 3-0-3.
- Front raise (elevação frontal) — 3 séries de 12–15 repetições, pausa de 1 s no topo.
- Standing row (remada em pé) — 3 séries de 12–15 repetições, pegada pronada.
O volume é deliberadamente alto: o objetivo não é hipertrofia máxima, mas capacidade de manter a postura da cabeça sem fadiga neuromuscular na volta 25.
Controle de peso corporal e cardio em jejum
O regulamento do Porsche Mobil 1 Supercup fixa peso mínimo do carro + piloto. Estar acima significa lastro extra; estar abaixo, lastro obrigatório mal posicionado. Burton corre 5–8 km em jejum pela manhã, zona 2 (60–70 % FCmáx), para oxidar gordura sem comprometer recuperação do treino de força. À noite, ajusta carboidratos conforme a sessão do dia. “É chato, mas a contagem de calorias me dá margem para trocar uma refeição de viagem por algo menos ideal sem estourar o teto”, resume.
| Componente | Frequência | Objetivo principal |
|---|---|---|
| Leg press unilateral | 2×/semana | Força de frenagem / simetria |
| Bloco pescoço/ombros | 3×/semana | Resistência isométrica à força G |
| Corrida zona 2 (jejum) | 4–5×/semana | Controle de composição corporal |
| Core anti-rotação | 3×/semana | Estabilidade no cockpit |
Nutrição na pista e adaptações em viagem
Nos fins de semana de corrida, a hospitalidade da Porsche serve café da manhã, almoço e jantar com opções de alta qualidade proteica e carboidratos de baixo índice glicêmico. Burton prioriza ovos, aveia, frango grelhado, arroz basmati e vegetais. Em deslocamentos aeroportuários, onde o cardápio foge do controle, ele usa a reserva calórica acumulada na semana para encaixar uma refeição mais calórica sem ultrapassar o limite diário. Recomenda-se acompanhamento profissional de nutricionista esportivo para adaptar qualquer protocolo de jejum ou restrição calórica ao seu contexto individual.
O passo seguinte na progressão
Burton monitora três métricas semanais para saber se o bloco está funcionando: (1) tempo de sustentação de prancha cervical com 5 kg (meta > 90 s), (2) força unilateral no leg press (meta 180 kg × 5 repetições por perna) e (3) variação de peso matinal em jejum (janela de ± 0,5 kg). Quando duas das três estagnam por duas semanas, ele altera volume ou intensidade — mais séries no pescoço, menos carga no leg press, ou inclusão de sprints curtos no cardio. A periodização é fluida, ditada pelo calendário de provas e pela resposta subjetiva de fadiga. Se o piloto amador quiser testar a lógica, comece registrando esses três números por 14 dias antes de mexer em qualquer variável.


