TL;DR: Austin Perkins levantou 344 kg em deadlift raw, estabelecendo novo recorde mundial da categoria U74 kg no IPF 2026, usando postura sumo e pegada mista.
É segunda‑feira, a dieta começou ontem e o atleta já está de olho no próximo ciclo de treinamento. Enquanto muitos ainda ajustam a ingestão de proteínas, Austin Perkins já tem um objetivo claro: melhorar a força máxima sem comprometer a hipertrofia muscular. O recorde que ele bateu – 344 kg – não é apenas um número; ele reflete a convergência de técnica refinada, periodização científica e atenção ao detalhe anatômico.
Contexto do recorde e análise dos números
O campeonato aconteceu em Druskininkai, Lituânia, e contou com a presença de atletas de todas as federações afiliadas ao IPF. Perkins entrou no palco com duas tentativas planejadas: 332,5 kg como aquecimento e 344 kg como tentativa de recorde. A diferença de 0,5 kg em relação ao recorde anterior (343,5 kg de Ilia Marichev) pode parecer mínima, mas no deadlift raw cada quilograma exige ajuste fino de recrutamento de fibras musculares.
| Movimento | 1ª tentativa | 2ª tentativa | Resultado |
|---|---|---|---|
| Squat | 325 kg | 340 kg | Falha em 345 kg |
| Bench Press | 197,5 kg | 207,5 kg | Não tentou terceira |
| Deadlift | 332,5 kg | 344 kg (recorde) | Não tentou terceira |
O total foi de 891,5 kg, 86,5 kg à frente do segundo colocado – um domínio absoluto. A estratégia de Perkins de “não desperdiçar energia” ao eliminar a terceira tentativa de deadlift demonstra conhecimento avançado de gerenciamento de fadiga, essencial para manter a hipertrofia sem sobrecarga neurológica.
Guia prático para replicar a performance de deadlift de elite
1. Estrutura de periodização
Estudos como Fernández‑Lázaro et al. (2019) mostram que treinos de força‑resistência em condições de hipoxia aumentam a hipertrofia muscular. Embora a maioria dos atletas não treine em altitude, a aplicação de blocos de volume alto (5‑6 séries de 5‑6 repetições) seguida de fases de intensidade (3‑5 séries de 1‑3 repetições) reproduz o estímulo metabólico necessário para crescer e ganhar força.
- Bloco de volume (4‑6 semanas): 70‑80% 1RM, 5‑6 séries, 5‑6 rep.
- Bloco de intensidade (3‑4 semanas): 85‑95% 1RM, 3‑5 séries, 1‑3 rep.
- Deload (1 semana): 50‑60% 1RM, 2‑3 séries, 5 rep.
2. Técnica sumo e pegada mista
A postura sumo reduz o comprimento da alavanca, favorecendo maior recrutamento dos glúteos e adutores. A pegada mista (uma mão pronada, outra supinada) evita a rotação da barra, permitindo levantar cargas superiores. Contudo, a pegada mista pode gerar assimetria; recomenda‑se alternar as mãos a cada sessão.
3. Seleção de acessórios e mobilidade
Embora Perkins tenha competido “raw” (sem equipamento além do cinto), a mobilidade de tornozelo e a estabilidade do core são cruciais. Exercícios auxiliares recomendados:
- Elevação de panturrilha em plataforma para melhorar a dorsiflexão.
- Pranchas laterais com elevação de perna para reforçar o core.
- Hip thrusts e glute bridges para maximizar a força dos glúteos.
4. Nutrição voltada à hipertrofia
Para sustentar treinos de alta intensidade, a ingestão de proteína deve ficar entre 1,6‑2,2 g/kg de peso corporal. Um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Nutrição Esportiva (2022) confirma que a combinação de proteína whey isolada com carboidrato de absorção rápida (ex.: maltodextrina) eleva a síntese de proteína muscular em até 30% nas 24 h pós‑treino.
Alimentos brasileiros que favorecem a hipertrofia incluem:
- feijão preto – 8 g de proteína/100 g.
- Carne de patinho – 22 g de proteína/100 g.
- quinoa – 4,4 g de proteína/100 g e rica em aminoácidos essenciais.
- ovos caipira – 13 g de proteína/100 g e boa fonte de colina.
5. Recuperação e acompanhamento profissional
O risco de lesões aumenta quando se busca recordes máximos sem monitoramento adequado. Recomenda‑se consulta com fisioterapeuta ou preparador físico pelo menos uma vez por mês para avaliar:
- Desbalanço de força entre membros.
- Mobilidade articular.
- Fadiga acumulada (uso de questionários como o RPE).
Além disso, exames cardiológicos são recomendados, visto que hipertrofia cardíaca pode acompanhar treinamentos intensos (Cunha et al., 2021).
Erros que sabotam o progresso no deadlift
Mesmo atletas experientes cometem falhas que comprometem a força máxima e a hipertrofia. Entre os mais comuns:
- Negligenciar o aquecimento específico de cadeia posterior.
- Utilizar pegada simétrica por longos períodos, gerando fadiga unilateral.
- Excesso de volume sem períodos de deload, levando ao overtraining.
- Desconsiderar a qualidade do sono – menos de 7 h pode reduzir a síntese proteica em 15%.
Quando procurar um profissional
Se notar dor aguda nas lombares, diminuição de desempenho por mais de duas semanas ou assimetria evidente na execução, interrompa o treino e agende avaliação com um fisioterapeuta especializado em força. O acompanhamento regular garante que a hipertrofia muscular seja acompanhada de saúde articular e cardiovascular.
Como adaptar o treinamento de deadlift para diferentes níveis
Iniciantes podem começar com a variante convencional, focando em postura neutra da coluna e pegada dupla pronada. Intermediários podem migrar para a postura sumo e introduzir a pegada mista. Atletas avançados, como Perkins, devem explorar variações de ritmo (tempo sob tensão) e usar equipamentos de apoio (cinto, joelheira) apenas nas fases de carga máxima.
Em síntese, o recorde de Austin Perkins não foi fruto de sorte, mas de planejamento científico, técnica apurada e nutrição direcionada. Replicar esse nível exige disciplina, periodização inteligente e, sobretudo, acompanhamento profissional constante.


