Para quem busca hipertrofia dos bíceps, Terrence Ruffin – duas vezes vencedor do Arnold Classic e atual competidor do Olympia – indica três movimentos que, segundo ele, geram crescimento consistente quando realizados duas a três vezes por semana com carga progressiva.
Comparativo dos principais exercícios para bíceps
| Exercício | Músculo(s) primário(s) | Vantagem principal | Desvantagem / cautela |
|---|---|---|---|
| single arm curl (banco preacher) | biceps brachii (cabeça curta e longa) e brachialis | Permite carga unilateral alta, corrigindo desequilíbrios de força. | Exige boa estabilização do tronco; risco de compensação se a postura não for controlada. |
| single arm preacher curl | biceps brachii (ênfase na cabeça curta) | Isolamento intenso graças ao apoio do banco, reduzendo tração de outros grupos. | Amplitude limitada; pode sobrecarregar o cotovelo se a carga for excessiva. |
| single‑arm cable hammer curl | brachialis e músculos do antebraço (braquiorradial) | Alteração da pegada (neutra) aumenta a ativação do brachialis e melhora a estética do braço. | Dependência de cabo pode limitar a sensação de peso livre; necessidade de ajustar a altura da polia. |
Qual escolher pro seu caso
Ruffin recomenda combinar os três exercícios ao longo da semana, mas a escolha depende de fatores individuais:
- Nível de experiência: iniciantes podem iniciar com o single arm curl para ganhar confiança unilateral antes de avançar para o preacher.
- Objetivo estético: quem prioriza a “ponta” do bíceps pode dar mais ênfase ao preacher curl; quem busca “espessura” deve incluir o hammer curl.
- Histórico de lesões: atletas com tendinite do bíceps podem preferir o cable hammer, que reduz a compressão do tendão no ombro.
- Disponibilidade de equipamento: academias sem máquinas de cabo ainda podem obter resultados satisfatórios usando apenas halteres e banco preacher.
Independentemente da escolha, Ruffin recomenda 2 a 3 séries por exercício, utilizando o método de double progression: iniciar com cerca de 8 repetições para garantir a técnica, depois reduzir para 4‑8 repetições nas séries finais, aumentando a carga progressivamente.
Evidência científica sobre treinamento de bíceps
Vários estudos corroboram a importância da variação de ângulos e da carga unilateral para estimular diferentes fibras do bíceps. Kassiano et al. (2025) demonstraram que curls no banco preacher e em inclinação produzem adaptações distintas de força e hipertrofia, sugerindo que a combinação de ambos pode otimizar o desenvolvimento muscular.
Uma revisão de Diplock, Hing e Marks (2023) destacou que a cabeça longa do bíceps tem maior envolvimento quando o braço está em posição de extensão completa, reforçando a utilidade de exercícios que permitem amplitude total, como o single arm curl.
No contexto clínico, Churgay (2009) e Lalehzarian et al. (2022) alertam para a necessidade de monitorar a carga em indivíduos com tendinopatia, pois sobrecarga repetitiva pode agravar a inflamação do tendão proximal.
Quem pode e quem deve evitar
Qualquer praticante pode incorporar os três movimentos, desde que respeite a técnica e a progressão de carga. Contudo, recomenda‑se cautela nos seguintes casos:
- Atletas com diagnóstico de tendinite ou tenossinovite do bíceps – priorizar o cable hammer com carga moderada.
- Indivíduos com lesão no cotovelo (epicondilite) – evitar o preacher curl até a recuperação completa.
- Principiantes sem acompanhamento – iniciar sob supervisão de um profissional de educação física, pelo menos uma vez por semana, para garantir a execução correta.
Em todos os casos, a avaliação de um fisioterapeuta ou médico do esporte é recomendada antes de iniciar um programa de alta intensidade.
Como incluir na rotina
Uma periodização simples pode ser estruturada da seguinte forma:
- Segunda‑feira: Single Arm Curl – 3 séries de 8‑10 repetições.
- Quarta‑feira: Single Arm Preacher Curl – 3 séries de 6‑8 repetições, foco em contração máxima.
- Sexta‑feira: Single‑Arm Cable Hammer Curl – 3 séries de 8‑12 repetições, controle do tempo sob tensão.
Ao final de cada ciclo de quatro a seis semanas, aumente a carga em 2‑5 % ou reduza o número de repetições, seguindo o princípio da double progression.
Quem pode e quem deve evitar
O treinamento de bíceps, embora essencial para a estética e força de membros superiores, não é isento de riscos. A literatura indica que a sobrecarga excessiva pode predispor a lesões do tendão bicipital, sobretudo em atletas que treinam alta frequência sem recuperação adequada (Churgay, 2009). Portanto, a inclusão de dias de descanso e a variação de estímulos são fundamentais.
Por onde começar com segurança
Antes de adotar a rotina de Ruffin, faça uma avaliação funcional para identificar possíveis desequilíbrios entre os membros. Procure orientação de um profissional qualificado, que poderá ajustar a carga inicial e monitorar a execução. Lembre‑se de que a progressão deve ser gradual e baseada em métricas objetivas, como aumento de carga ou melhora na amplitude de movimento.


