Sonita Muluh squatou 340 kg em treino: o que a ciência confirma e o que é marketing?
TL;DR: Sonita Muluh realizou um squat de 340 kg em sessão de treinamento, superando o recorde oficial da IPF (+84 kg) de 318,5 kg, mas o feito ainda não foi reconhecido oficialmente porque ocorreu fora de competição.
O levantamento de 340 kg levanta questões sobre a diferença entre desempenho em ambiente controlado e resultados validados por federações. Enquanto a imprensa celebra o feito como "quebra de limite", a comunidade científica e regulatória aponta que apenas competições sancionadas garantem comparabilidade e segurança.
- Recorde oficial vs. não oficial – O recorde reconhecido pela IPF para a categoria +84 kg é 318,5 kg (2025). O squat de 340 kg foi feito em treino, portanto não entra nos bancos de dados oficiais. Essa distinção evita comparações injustas entre atletas que competem sob regras idênticas.
- Equipamentos permitidos – Sonita usou cinto, joelheiras e munhequeiras, exatamente o que a IPF permite em provas "raw". A padronização de equipamentos é crucial para que resultados sejam comparáveis entre diferentes competidores.
- fadiga acumulada – Ela mesma relatou que, em uma semana, chegou a squatar 300 kg seis vezes, indicando alto volume de carga. Estudos como o de Powell et al. (2022) mostram que sobrecarga crônica pode elevar o risco de lesões, reforçando a necessidade de acompanhamento profissional.
- Comparação com outros recordes – A tabela abaixo resume os principais marcos recentes na categoria +84 kg:
| Ano | Atleta | Squat (kg) | Tipo |
|---|---|---|---|
| 2025 | Sonita Muluh | 318,5 | Oficial (IPF) |
| 2026 | Sonita Muluh | 340 | Treino (não oficial) |
| 2026 | Brittany Schlater | 327 | Oficial (IPF) |
Embora impressionante, o squat de 340 kg ainda carece de validação oficial. Isso não diminui a capacidade atlética de Sonita, mas destaca a importância de contextos de competição para registros reconhecidos.
Aspectos críticos que atletas e treinadores devem observar
- Periodização adequada – altas cargas devem ser inseridas em ciclos bem planejados para evitar sobrecarga.
- Monitoramento de fadiga – uso de ferramentas como o RPE e testes de força diária ajudam a identificar sinais de desgaste.
- Equipamento certificado – cinto, joelheiras e munhequeiras devem seguir as normas da federação para garantir segurança e validade dos levantamentos.
- Presença de um profissional – ao menos uma avaliação anual com fisioterapeuta ou treinador especializado é essencial para prevenir lesões.
Além disso, a literatura brasileira reforça a necessidade de acompanhamento: um estudo de Bastos et al. (2014) sobre interações medicamentosas em atletas destaca que o uso de suplementos ou medicações pode alterar a resposta muscular e aumentar o risco de eventos adversos.
“I don’t believe am real either. It felt sooo light on the back that i expected it to move faster. But the amount of fatigue I have accumulated over 1 week is insane.” – Sonita Muluh, Instagram.
O próximo passo de Sonita será a disputa no Campeonato Mundial Classic da IPF em Druskininkai, Lituânia, entre 13 e 21 de junho de 2026. Lá, ela buscará transformar o squat de 340 kg em recorde oficial, enfrentando a atual campeã Brittany Schlater.
Erros que sabotam o resultado
Mesmo atletas de elite podem cair em armadilhas que comprometem desempenho e saúde:
- Negligenciar a recuperação – Dormir menos de 7 h por noite ou omitir sessões de mobilidade reduz a capacidade de gerar força máxima.
- Excesso de volume sem progressão de carga – Repetir o mesmo peso sem aumentar a carga pode levar a platôs e ao acúmulo de fadiga.
- Desconsiderar a técnica – Um squat com profundidade inadequada aumenta o risco de lesões lombares e diminui a eficiência mecânica.
- Uso indiscriminado de suplementos – Sem orientação profissional, suplementos podem interferir em hormônios e causar efeitos colaterais.
- Ignorar sinais de alerta – Dor aguda, perda de força repentina ou alterações de postura são indicadores de que algo está errado e requer avaliação imediata.
Para atletas que desejam alcançar marcas como a de Sonita, a combinação de ciência, planejamento rigoroso e acompanhamento profissional é a única estratégia sustentável.


