Ryan Terry chega ao Mr. Olympia 2026 — marcado para 24 a 27 de setembro, em Las Vegas — com uma missão declarada: empatar o recorde de quatro títulos no men's physique Olympia estabelecido por Jeremy Buendia e, com isso, selar de vez o status de GOAT (Greatest of All Time) da categoria. Bicampeão consecutivo em 2023 e 2024, o britânico de 35 anos listou Kyron Holden como a ameaça mais concreta, sem deixar de reconhecer o peso de rivais como Erin Banks, Ali Bilal e o possível retorno de Brandon Hendrickson.
Em vídeo no canal Flex Lewis | Straight Outta The Lair Podcast, Terry foi direto: a busca por um feito que ninguém alcançou é o que ainda tira ele da cama de madrugada. O raciocínio é simples — empatar Buendia em títulos no palco principal não basta, ele quer superar o currículo agregando arnold classic, pittsburgh pro e new york pro ao palmarés. É a velha lógica do fisiculturismo competitivo: títulos importam, mas o pacote completo é o que define gerações.
O cenário do Men's Physique em 2026
A categoria Men's Physique nasceu em 2013 como resposta do IFBB Pro League a uma demanda de mercado: físicos atléticos, com shape de V bem marcado, mas sem o volume extremo do bodybuilding clássico. Em pouco mais de uma década, transformou-se em uma das mais disputadas do palco, e o nível subiu em curva exponencial. Terry é o primeiro a reconhecer isso.
"O novato está dando o que falar. O Kyron Holden está absolutamente fenomenal. Ele me empurra. Eu gosto do fato de ele ser respeitoso, de manter a cabeça baixa e trabalhar — são essas pessoas que você precisa se preocupar. Elas vão te elevar." — Ryan Terry.
Holden não é nome aleatório. O britânico despontou na temporada 2024-2025 com condicionamento seco, simetria apurada e linhas que fizeram jurados e fãs revisarem a hegemonia de Terry. É o tipo de rivalidade que o fisiculturismo precisa para continuar relevante, especialmente depois de ciclos em que o mesmo atleta vence sem grande contestação.
Os nomes que podem mudar o jogo
- Kyron Holden — ascensão meteórica, condicionamento seco e poses traseiras que o próprio Terry admite que precisa evoluir para acompanhar.
- Erin Banks — norte-americano com estrutura larga e cintura fina, ex-top 3 que trabalha para voltar ao pódio mais alto.
- Brandon Hendrickson — tricampeão do Olympia (2018, 2019 e 2020) e dono de três Arnold Classic, histórico que pesa no currículo mesmo se Terry empatar em títulos.
- Ali Bilal — moldura estética consistente e pacote de poses competitivo, costuma rondar o top 5.
A matemática do legado é cruel: empatar Buendia em títulos põe Terry na conversa, mas não o coloca automaticamente no topo absoluto. Hendrickson tem três Arnold Classic; Terry, dois. O que Terry tem a mais são dois títulos do Olympia (2023 e 2024) que Hendrickson perdeu — e é justamente esse contraponto que alimenta o debate sobre quem é o maior de todos.
Como a preparação está sendo conduzida
A sete semanas do palco, Terry publicou que está marcando cerca de 97 kg (215 lb) na balança e dedicando sessões específicas para costas, justamente o elo que ele próprio julga precisar reforçar para melhorar as poses traseiras — critério cada vez mais pesado na avaliação dos juízes. O raciocínio técnico é o seguinte:
- Construir densidade no dorsais e arredondar a silhueta em V — critério que diferencia físicos medianos de físicos de pódio.
- Aumentar a separação muscular sem perder volume — controla a água e o sódio nas últimas semanas, o clássico protocolo de peak week.
- Refinar transições de pose — repetição em frente ao espelho e gravação em vídeo são tão importantes quanto o treino em si.
- Manter a disciplina alimentar — Terry já revelou um dia de alimentação de cerca de 4.852 kcal em fase off-season; dentro da preparação, o número cai sem cortar proteína.
- Proteger a saúde cardiovascular — atletas de fisiculturismo usam substâncias que exigem monitoramento; revisão cardiológica anual é o mínimo, sobretudo em quem compete há mais de uma década.
Aviso importante: a preparação de um atleta de elite como Ryan Terry não é protocolo replicável para amadores. Dietas muito hipocalóricas, desidratação controlada e uso de anabolizantes exigem acompanhamento médico e de nutricionista esportivo. Qualquer um que queira emagrecer ou ganhar massa deve procurar um profissional de educação física e um nutricionista antes de copiar métodos de fisiculturistas de palco.
Erros comuns na hora de avaliar o Olympia
- Achar que a categoria premia só o físico — posing, presença de palco e pacote de curvas decidem metade da nota. Terry é mestre nisso.
- Confundir condicionamento com magreza extrema — o que se vê no palco é dehydration estratégica, não estado sustentável de saúde.
- Esquecer que o shape de V é critério técnico — cintura fina, dorsais largos, deltoides cheios. É engenharia corporal, não sorte.
- Superestimar um único critério — jurado olha o conjunto. Um físico monstruoso em peito com costas fracas perde pontos.
Comparativo rápido: quem tem o melhor currículo no Men's Physique
| Atleta | Títulos do Olympia | Arnold Classic | Outros títulos Pro |
|---|---|---|---|
| Jeremy Buendia | 4 (2015-2018) | 1 | Pittsburgh Pro |
| Brandon Hendrickson | 3 (2018-2020) | 3 | New York Pro, Pittsburgh Pro |
| Ryan Terry | 2 (2023-2024) | 2 | Arnold Classic UK, New York Pro |
| Kyron Holden | 0 | 0 | Pro Debut sólido em 2024-2025 |
Dicas avançadas para quem acompanha (ou compete)
- Estude a história, não só o feed — conhecer a carreira de Buendia, Mark Anthony e outros vencedores explica por que o critério mudou.
- Observe a simetria antes do tamanho — a categoria Men's Physique valoriza proporções, não massa bruta.
- Acompanhe a pose de costas — o que decide o Olympia, em geral, é quem tem dorsais mais cheios e lats mais definidos na vista posterior.
- Não copie protocolos de palco — desidratação e doping são realidade do alto nível, não referência para o treino em casa.
O que falta confirmar até o palco
Terceiro título seguido não vem de graça, e Terry sabe. A pergunta que ronda Las Vegas em 2026 não é só se ele vai empatar Buendia — é se ele vai apresentar um físico superior ao de 2024. Treinos de costas reforçados, peso controlado em 97 kg e um Holden cada vez mais afiado tornam o duelo mais interessante do que qualquer retrospecto sugere. Se Terry vencer, o debate GOAT sai do campo da opinião e entra no campo dos números. Se Holden surpreender, a categoria entra em uma nova era.
Para o público brasileiro, vale um lembrete: o fisiculturismo competitivo no Brasil segue crescendo, com atletas de destaque no palco do Mr. Olympia, e a categoria Men's Physique em particular tem mostrado nível internacional — apoiado por estudos como o de Mert, İlgüy e Mert (2018) sobre preditores de arritmias em fisiculturistas, que reforçam a importância do acompanhamento cardiológico regular em quem treina com intensidade de palco. Físico de revista não vale uma arritmia.


