Comparativo de preenchedores usados em procedimentos estéticos
| Tipo | Duração esperada | Reversibilidade | Riscos comuns | Indicação típica |
|---|---|---|---|---|
| pmma (polimetilmetacrilato) | Permanente (anos) | Irreversível; requer remoção cirúrgica | Nódulos, inflamação, migração, infecção | Correção de sulcos profundos, aumento de queixo (uso off‑label) |
| ácido hialurônico (HA) | 6‑18 meses | Reversível com hialuronidase | Vermelhidão, hematoma, raro nódulo | Preenchimento de rugas, lábios, valles lacrimais |
| hidroxiapatita de cálcio (CaHA) | 12‑18 meses | Parcialmente reversível (bioabsorção) | Nódulos, sensibilidade | Rugas moderadas a severas, aumento de bochechas |
| ácido polilático (PLLA) | Até 24 meses (estimulação de colágeno) | Irreversível, mas gradual | Nódulos subcutâneos, assimetria | Restauração de volume facial, tratamento de lipoatrofia |
No contexto do fisiculturismo feminino, as acusações de uso de PMMA surgiram após a edição de 2025 do Women’s Physique Olympia, quando a atleta brasileira Sarah Villegas sugeriu que sua rival Natalia Coelho teria realizado procedimentos com preenchedores permanentes para melhorar a aparência muscular. O marido e treinador de Villegas, Ali Taktak, afirmou em entrevista que um médico da clínica onde Coelho teria sido atendida lhe forneceu datas, vídeos e detalhes dos supostos procedimentos. Essas alegações geraram um debate intenso nas redes sociais e em fóruns de musculação, com figuras como Bob Cicherillo e Shawn Ray defendendo que as acusações são infundadas e que o uso de PMMA seria “trapaça”.
Do ponto de vista científico, o PMMA é um polímero sintético amplamente utilizado em cimentos ósseos e em alguns preenchedores dérmicos permanentes. Estudos recentes, como a revisão de Seesala VS et al. (2024) publicada na ACS Biomaterials Science & Engineering, destacam que o cimento de PMMA apresenta alta resistência à compressão e estabilidade mecânica, mas sua biocompatibilidade depende fortemente da técnica de aplicação, da pureza do material e da presença de contaminantes. Quando utilizado em tecidos moles, o risco de reações inflamatórias, formação de granulomas e migração do produto aumenta significativamente, especialmente se houver injeção em camadas inadequadas ou volume excessivo.
Até a data desta publicação, não há exames laboratoriais, laudos médicos ou imagens de diagnóstico divulgados que comprovem a presença de PMMA nos corpos das atletas envolvidas. As afirmações se baseiam em depoimentos, vídeos não verificados e interpretações de imagens de redes sociais. Nesse cenário, a carga da prova recai sobre quem afirma o uso do produto; sem evidências objetivas, as alegações permanecem no âmbito da especulação.
Qual escolher pro seu caso
Para quem considera qualquer tipo de preenchedor, seja para fins estéticos ou reconstructivos, o primeiro passo é buscar avaliação de um profissional de saúde habilitado — dermatologista, cirurgião plástico ou médico com treinamento específico em procedimentos de preenchimento. Esse profissional pode indicar o material mais adequado ao objetivo, ao tecido-alvo e ao perfil de risco do paciente, além de esclarecer a necessidade de testes de alergia e o acompanhamento pós‑procedimento.
- Verifique a formação e o registro do profissional no conselho de classe.
- Solicite informações sobre o produto: lote, data de validade e estudos de segurança disponíveis.
- Discuta expectativas realistas e a possibilidade de necessidade de retoques ou remoção futura.
- Esteja atento a sinais de complicação como dor persistente, vermelhidão crescente, nódulos palpáveis ou alteração da sensibilidade.
É importante lembrar que, independentemente do material escolhido, nenhum preenchedor é isento de riscos. A decisão deve ser feita com base em benefícios claros, compreensão das limitações e, sobretudo, com o suporte de um profissional qualificado. Assim como no treinamento de força, onde a progressão segura depende de técnica correta e avaliação individual, a escolha de um preenchedor exige personalização e acompanhamento contínuo.
Por fim, a controvérsia envolvendo PMMA no fisiculturismo destaca a importância de separar fatos verificáveis de rumores. Enquanto a comunidade aguarda possíveis desdobramentos oficiais, a orientação permanece: procure orientação profissional antes de submeter-se a qualquer procedimento invasivo e mantenha um olhar crítico sobre alegações que não apresentam evidências concretas.


