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PMMA no fisiculturismo: acusações, evidências e o que a ciência diz

· · 4 min de leitura
Atleta de fisiculturismo exibindo bíceps definidos ao lado de uma seringa contendo preenchedor PMMA translúcido
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Comparativo de preenchedores usados em procedimentos estéticos

Tipo Duração esperada Reversibilidade Riscos comuns Indicação típica
pmma (polimetilmetacrilato) Permanente (anos) Irreversível; requer remoção cirúrgica Nódulos, inflamação, migração, infecção Correção de sulcos profundos, aumento de queixo (uso off‑label)
ácido hialurônico (HA) 6‑18 meses Reversível com hialuronidase Vermelhidão, hematoma, raro nódulo Preenchimento de rugas, lábios, valles lacrimais
hidroxiapatita de cálcio (CaHA) 12‑18 meses Parcialmente reversível (bioabsorção) Nódulos, sensibilidade Rugas moderadas a severas, aumento de bochechas
ácido polilático (PLLA) Até 24 meses (estimulação de colágeno) Irreversível, mas gradual Nódulos subcutâneos, assimetria Restauração de volume facial, tratamento de lipoatrofia

No contexto do fisiculturismo feminino, as acusações de uso de PMMA surgiram após a edição de 2025 do Women’s Physique Olympia, quando a atleta brasileira Sarah Villegas sugeriu que sua rival Natalia Coelho teria realizado procedimentos com preenchedores permanentes para melhorar a aparência muscular. O marido e treinador de Villegas, Ali Taktak, afirmou em entrevista que um médico da clínica onde Coelho teria sido atendida lhe forneceu datas, vídeos e detalhes dos supostos procedimentos. Essas alegações geraram um debate intenso nas redes sociais e em fóruns de musculação, com figuras como Bob Cicherillo e Shawn Ray defendendo que as acusações são infundadas e que o uso de PMMA seria “trapaça”.

Do ponto de vista científico, o PMMA é um polímero sintético amplamente utilizado em cimentos ósseos e em alguns preenchedores dérmicos permanentes. Estudos recentes, como a revisão de Seesala VS et al. (2024) publicada na ACS Biomaterials Science & Engineering, destacam que o cimento de PMMA apresenta alta resistência à compressão e estabilidade mecânica, mas sua biocompatibilidade depende fortemente da técnica de aplicação, da pureza do material e da presença de contaminantes. Quando utilizado em tecidos moles, o risco de reações inflamatórias, formação de granulomas e migração do produto aumenta significativamente, especialmente se houver injeção em camadas inadequadas ou volume excessivo.

Até a data desta publicação, não há exames laboratoriais, laudos médicos ou imagens de diagnóstico divulgados que comprovem a presença de PMMA nos corpos das atletas envolvidas. As afirmações se baseiam em depoimentos, vídeos não verificados e interpretações de imagens de redes sociais. Nesse cenário, a carga da prova recai sobre quem afirma o uso do produto; sem evidências objetivas, as alegações permanecem no âmbito da especulação.

Qual escolher pro seu caso

Para quem considera qualquer tipo de preenchedor, seja para fins estéticos ou reconstructivos, o primeiro passo é buscar avaliação de um profissional de saúde habilitado — dermatologista, cirurgião plástico ou médico com treinamento específico em procedimentos de preenchimento. Esse profissional pode indicar o material mais adequado ao objetivo, ao tecido-alvo e ao perfil de risco do paciente, além de esclarecer a necessidade de testes de alergia e o acompanhamento pós‑procedimento.

  • Verifique a formação e o registro do profissional no conselho de classe.
  • Solicite informações sobre o produto: lote, data de validade e estudos de segurança disponíveis.
  • Discuta expectativas realistas e a possibilidade de necessidade de retoques ou remoção futura.
  • Esteja atento a sinais de complicação como dor persistente, vermelhidão crescente, nódulos palpáveis ou alteração da sensibilidade.

É importante lembrar que, independentemente do material escolhido, nenhum preenchedor é isento de riscos. A decisão deve ser feita com base em benefícios claros, compreensão das limitações e, sobretudo, com o suporte de um profissional qualificado. Assim como no treinamento de força, onde a progressão segura depende de técnica correta e avaliação individual, a escolha de um preenchedor exige personalização e acompanhamento contínuo.

Por fim, a controvérsia envolvendo PMMA no fisiculturismo destaca a importância de separar fatos verificáveis de rumores. Enquanto a comunidade aguarda possíveis desdobramentos oficiais, a orientação permanece: procure orientação profissional antes de submeter-se a qualquer procedimento invasivo e mantenha um olhar crítico sobre alegações que não apresentam evidências concretas.

Aviso médico

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui orientação profissional. Consulte sempre um(a) nutricionista, médico(a) ou educador(a) físico(a) antes de adotar dietas, suplementos ou rotinas de exercício, especialmente se você tem condições de saúde preexistentes, está grávida, amamentando ou tem menos de 18 anos. Resultados individuais variam.

Perguntas frequentes

O que é PMMA e para que ele é usado na medicina?
PMMA (polimetilmetacrilato) é um polímero sintético empregado em cimentos ósseos para fixação de próteses e, em algumas formulações, como preenchedor dérmico permanente. Sua aplicação em tecidos moles é considerada off‑label em muitos países e requer cuidados específicos devido ao risco de reações adversas.
Existe algum exame que possa confirmar a presença de PMMA no corpo?
Sim. Técnicas de imagem como ultrassonografia de alta frequência, ressonância magnética com sequências específicas e, em casos de suspeita de granuloma, biópsia com análise histopatológica podem detectar o material. Porém, esses exames só são indicados quando há sinal clínico de complicação.
Qual a diferença entre PMMA e preenchedores de ácido hialurônico?
O PMMA é um material não biodegradável, permanecendo no tecido por anos e exigindo remoção cirúrgica para reversão. O ácido hialurônico é biodegradável, dura de 6 a 18 meses e pode ser dissolvido com hialuronidase, oferecendo maior perfil de segurança e ajustabilidade.

Fontes e pesquisas

Artigos científicos e pesquisas consultadas sobre pmma.

🔬 Estudos internacionais (PubMed)

Estas fontes foram consultadas automaticamente. Este artigo não substitui orientação profissional.

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