Segunda‑feira, a balança ainda mostra 78 kg e a motivação está em alta
Você acabou de iniciar a rotina de treinos e, ao ver vídeos de fortes como Hafthor Bjornsson, pensa: "Será que consigo fazer deadlift?" TL;DR: o deadlift envolve quase todo o corpo, mas requer técnica, progressão gradual e acompanhamento profissional para evitar lesões.
Este artigo traz a história do recorde, explica a fisiologia por trás do movimento e oferece um guia prático para quem está começando.
Por que o deadlift é tão famoso?
O deadlift ganhou notoriedade graças a atletas de elite, como o islandês Hafthor Bjornsson, que tentou levantar 511 kg no Enhanced Breakers 1 em 2023. Mesmo que o recorde não tenha sido batido, esses números mostram o potencial de força que o exercício pode desenvolver.
Além do espetáculo, o deadlift tem respaldo científico. Uma revisão de 2020 (Martín‑Fuentes et al., PloS One) mostrou que o movimento ativa intensamente a cadeia posterior – lombar, glúteos, isquiotibiais e trapézio – e ainda recruta quadríceps e core para estabilização.
O que a ciência diz sobre benefícios e riscos
Estudos recentes apontam:
- Ativação muscular: o deadlift gera maior recrutamento de glúteos que o hip thrust, segundo Plotkin et al. (2023).
- Saúde da coluna: pacientes com dor lombar podem melhorar quando o exercício é executado com carga moderada e técnica adequada (Berglund et al., 2015).
- Hipertrofia dos isquiotibiais: o Romanian deadlift, variante excêntrica, promove mudanças favoráveis na arquitetura muscular (Crawford et al., 2025).
Um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Ciências do Esporte (2022) mostrou que praticantes que incluíram deadlift em programa de força tiveram aumento de 12 % na força máxima de quadríceps em 8 semanas.
Como montar seu primeiro treino de deadlift
1. Avaliação inicial
Antes de colocar a barra no chão, procure um profissional de educação física para avaliar postura, mobilidade da coluna e força do core. Uma visita ao menos uma vez por mês ajuda a corrigir desequilíbrios.
2. Equipamento essencial
- barra olímpica (20 kg) ou barra de 15 kg para iniciantes.
- placas de peso graduadas.
- cinta lombar (opcional, para cargas acima de 70 % do 1RM).
- calçados com sola firme.
3. Técnica passo a passo
- Posição dos pés: largura dos ombros, pontas levemente para fora.
- Pegada: pronada (ambas as mãos viradas para dentro) ou misto (uma pronada, outra supinada) para maior segurança.
- Descida: empurre o quadril para trás, mantenha a coluna neutra e agarre a barra.
- Levantamento: estenda os joelhos e quadris simultaneamente, mantendo a barra próxima ao corpo.
- Lockout: quando a barra atingir a altura dos quadris, contraia glúteos e abdômen antes de abaixar.
4. Progressão de carga
Comece com 40‑50 % do seu peso corporal. A cada duas sessões, aumente 2,5‑5 kg se a execução permanecer limpa. Use a tabela abaixo como referência de carga inicial:
| Peso corporal | Carga inicial sugerida | Repetições |
|---|---|---|
| Até 70 kg | 30 kg | 3 × 8 |
| 71‑90 kg | 40 kg | 3 × 6 |
| Acima de 90 kg | 50 kg | 3 × 5 |
Lembre‑se: a carga ideal varia conforme a experiência e a mobilidade individual.
Alimentos brasileiros que ajudam na recuperação do deadlift
Uma boa nutrição potencializa a força e a recuperação muscular. Veja opções típicas do Brasil e seus macronutrientes aproximados (por 100 g):
| Alimento | Proteína (g) | Carboidrato (g) | Gordura (g) |
|---|---|---|---|
| feijão preto cozido | 8,9 | 22,8 | 0,5 |
| arroz integral | 2,6 | 23,0 | 1,0 |
| peito de frango grelhado | 31,0 | 0,0 | 3,6 |
| Banana | 1,1 | 22,8 | 0,3 |
| Ovo inteiro | 13,0 | 1,1 | 10,6 |
Combine proteína de alta qualidade (frango, ovos) com carboidratos de absorção lenta (arroz integral, feijão) para repor glicogênio e apoiar a síntese muscular.
Erros que sabotam o resultado
Mesmo com um plano bem estruturado, alguns deslizes podem impedir o progresso:
- Arredondar a coluna durante a fase inicial – aumenta risco de lesão lombar.
- Usar carga excessiva antes de dominar a técnica – compromete a forma e gera fadiga precoce.
- Negligenciar o aquecimento – omita mobilidade de quadris e ativação do core.
- Não registrar os pesos e repetições – dificulta a progressão sistemática.
Quando procurar um profissional
Se sentir dor aguda nas costas, formigamento nas pernas ou perda de força repentina, agende uma avaliação com um fisioterapeuta ou treinador especializado. A orientação regular (pelo menos 1 vez ao mês) garante que seu deadlift evolua de forma segura.
Como saber se está dando certo
Indicadores de progresso incluem:
- Aumento de carga sem perda de forma.
- Melhora na postura ao levantar objetos do dia a dia.
- Redução de dores lombares durante atividades cotidianas.
- Feedback positivo do treinador sobre estabilidade do core.
Se esses pontos estiverem presentes, seu deadlift está no caminho certo.
Próximos passos para evoluir no deadlift
Depois de consolidar a técnica com a barra vazia, inclua variações como o Romanian deadlift e o deficit deadlift para trabalhar diferentes ângulos musculares. Alternar entre séries de força (3‑5 repetições) e volume (8‑12 repetições) também estimula hipertrofia e resistência.
Com disciplina, registro e acompanhamento profissional, o deadlift pode ser a base de um programa de força sólido e seguro.


