Faltam menos de três semanas para o Mr. Olympia 2026 invadir Las Vegas (24 a 27 de setembro), e a divisão Men's Open tem um duelo que pouca gente descarta: Andrew Jacked contra Derek Lunsford. Em vídeo publicado em 3 de setembro no canal The Menace Podcast, o veterano da categoria 212 Jose Raymond cravou o que Jacked precisa entregar para tirar o Sandow das mãos de Lunsford — bicampeão consecutivo.
Para resumir em uma frase: Raymond acredita que Jacked precisa chegar maior e mais definido do que em qualquer apresentação anterior, com ganho específico de volume nos isquiotibiais para melhorar as poses laterais. Dennis James, presente no mesmo episódio, foi ainda mais duro: se Jacked repetir o físico do Arnold Classic 2026, fica em terceiro.
Comparativo: os três favoritos ao Sandow em 2026
Raymond não falou só de Jacked. Ele desenhou cenários para os três nomes que dominam a conversa — e que aparecem nos simulados de apostas e nas prévias internacionais. A tabela abaixo resume o que foi dito no podcast e o histórico recente de cada atleta.
| Atleta | Último grande resultado | Ponto forte citado por Raymond | Ponto a melhorar | Cenário em Las Vegas |
|---|---|---|---|---|
| Derek Lunsford | Mr. Olympia 2025 (1º, bicampeão) | Pose traseira "devastadora" | Manter densidade na off-season sem perder condicionamento | Favorito para o 3º título, segundo Raymond |
| Andrew Jacked | 3º no Olympia 2025; bicampeão do Arnold Classic (Ohio + UK) | Tamanho e estrutura de cintura estreita | Definição e volume nos isquiotibiais; poses laterais | Se chegar melhor que no Arnold, briga pelo topo; se repetir, fica em 3º |
| Samson Dauda | 2º no Olympia 2025 | Proporções clássicas e densidade | Não citado como fraqueza específica | Ou repete 2025 ou tem um "momento Ronnie Coleman" e atropela |
O histórico que pesa na balança
Andrew Jacked, nigeriano de 2,02 m, subiu no pódio do Olympia pela primeira vez em 2025, terminando em terceiro. Depois, emplacou uma sequência rara: venceu o Romania Muscle Fest Pro, depois o Arnold Classic Ohio e o Arnold Classic UK em 2026, se tornando o primeiro fisiculturista da história a acumular US$ 1 milhão em premiações em um único mês. Mesmo assim, existe um rival que ele nunca derrotou: o próprio Lunsford.
A rivalidade esquentou depois que Lunsford disparou em entrevista que Jacked "nunca vai ganhar o Olympia". Dauda, por sua vez, vem de uma fase sólida com a marca GreenPeptide e figura entre os mais elogiados nos bastidores do Arnold UK.
"Ele precisa ser um pouco mais definido e um pouco maior do que em seu melhor anterior. Ele pode ser ainda melhor." — Jose Raymond, no The Menace Podcast.
"Se ele aparecer como apareceu no Arnold, vai ser terceiro de novo." — Dennis James, no mesmo episódio.
O que o fisiculturismo competitivo ensina sobre polimento de físico
O debate sobre Jacked não é só estética. No fisiculturismo, refinar uma estrutura que já é grande significa trabalhar weak points específicos sem comprometer a massa total. É a mesma lógica usada por quem treina para hipertrofia na academia comercial: identificar o grupo muscular que destoa do conjunto e priorizar volume, frequência e técnica.
Uma revisão de 2014 publicada no Journal of the International Society of Sports Nutrition — Helms, Aragon e Fitschen — consolidou as recomendações baseadas em evidência para a preparação de fisiculturistas naturais e aponta que a fase de polimento pré-competição combina déficit calórico pequeno, manutenção de proteína alta (algo em torno de 1,6 a 2,2 g/kg/dia, segundo os autores — consulte um nutricionista para ajustar) e ajustes finos de carboidrato para preservar o glicogênio muscular e a densidade visual.
Para o público brasileiro que acompanha o esporte, vale destacar que pesquisa da SciELO sobre periodização nutricional em atletas de força também reforça a importância de não cortar carboidrato de forma agressiva no cutting, sob risco de perder a "cheia" que diferencia um top 3 de um top 10. Samson Dauda, segundo Raymond, pode viver exatamente esse cenário oposto: entregar uma forma tão absurdamente densa que lembre os melhores momentos de Ronnie Coleman nos anos 90.
Qual cenário é mais provável em Las Vegas
Olhando para os três nomes, dá para separar em três faixas de chance, sempre lembrando que fisiculturismo é decidido em palco, com juízes, e surpresas acontecem:
- Lunsford 3º título: Raymond aposta nessa como a mais provável. O argumento é simples: pose traseira é o cartão de visita do americano, e ele vem de duas vitórias consecutivas no evento mais difícil do calendário.
- Andrew Jacked campeão: Depende de evolução real, não só de marketing. Jacked precisa subir densidade muscular sem inflar a cintura e refinar o controle de pose lateral — exatamente o que Raymond apontou como deficiência.
- Samson Dauda surpresa: Raymond usou a expressão "momento Ronnie Coleman", que no jargão do bodybuilding significa um físico tão acima dos rivais que a disputa fica decidida antes das poses livres.
Para quem acompanha o esporte de fora, uma dica prática: assista à transmissão oficial entre 24 e 27 de setembro e preste atenção nas comparações de pose lateral. É ali que Jacked precisa provar que adicionou volume nos posteriores de coxa — e é ali que Lunsford costuma transformar disputa em vitória.
Lesão e saúde: o lembrete que ninguém quer ouvir
Quem treina pesado mirando hipertrofia ou compete em qualquer federação precisa lembrar que a busca pelo físico ideal cobra um preço. Um estudo de 2025 publicado no European Heart Journal analisou mortalidade em fisiculturistas masculinos e encontrou risco cardiovascular elevado em competidores de longa data, reforçando a importância de acompanhamento médico — cardiologista, exames de sangue anuais e ecocardiograma a partir dos 35 anos. Treinar pesado é ótimo; treinar pesado sem monitorar marcadores de saúde, nem tanto. Consulte um nutricionista e um médico do esporte antes de mudar protocolo de cutting ou suplementação.
O que observar até o fim de semana do Olympia
Se você quer entrar no clima sem virar especialista da noite para o dia, três sinais vão dizer quem chega com reais condições de vitória no palco da Las Vegas Convention Center:
- Condicionamento vs. massa: Jacked precisa mostrar separação muscular sem perder volume. Lunsford precisa mostrar que não carrega nenhum quilo a mais da off-season.
- Simetria nas poses obrigatórias: Dauda sempre brilha em pose frontal e de costas. Jacked precisa pontuar em lateral dupla para tirar nota de Lunsford.
- Rotina de pré-show: vazamentos de bastidores e vídeos de pump-up no Instagram costumam mostrar a textura muscular real. Fique de olho no perfil dos três na reta final.
O Mr. Olympia 2026 tem tudo para entrar na história como uma das edições mais disputadas da era moderna do Men's Open. Se Jacked conseguir aplicar o ajuste cirúrgico que Raymond sugeriu — mais volume nos isquiotibiais, poses laterais afiadas econdicionamento de palco —, a briga pelo topo fica aberta. Se mantiver o físico do Arnold, o nigeriano sabe: o pódio de terceiro lugar está garantido, mas o Sandow fica com Lunsford. E Dauda? Pode ser o fator X que ninguém viu vir.


